Buscadores

A série propõe uma reflexão sobre os processos de identificação do indivíduo nas grandes cidades. São tantas as informações culturais e padrões emocionais que constituem nosso ego que não conseguimos pensar em nós mesmos sem nos identificar com nossa profissão, círculo social, vícios e costumes. Esse compendio de informações supérfluas cria uma fácil resposta para nos qualificar perante qualquer um, mas não nos leva adiante em nossa busca existencial.

Acredito que há uma personalidade mais profunda que isso tudo, algo que poderíamos chamar de nossa essência. Podemos ver isso em crianças pequenas, cuja personalidade já reconhecemos desde muito cedo, antes de serem influenciadas ou reprimidas pela família e sociedade.

Mas ao crescer nos distanciamos dessa espontaneidade, e essa distância mede nossas neuroses: nossa essência e nosso ego se movem em direções diferentes. Uma vez adultos nos tornamos neuróticos funcionais, incapazes de nos realizar plenamente, mas cidadãos absolutamente aptos a cumprir nossas tarefas. E pior, nos identificamos com isso. 

Ao nos aproximarmos da nossa espontaneidade não estaremos mais perdidos na grande cidade. Já não há necessidade da referência externa, nem precisamos procurar soluções ou identidades pelas ruas. Deixamos de ser anônimos para nos reconhecer e nos completar, podendo assim reconhecer o outro.